Se palavras pudessem ser trocadas, eu as trocaria pelo seu silêncio
Pelo silêncio mais cortante, que seja, contanto que pudesse ser meu,
Muito melhor que essas lembranças de letras que eu guardo à força,
resquícios de vontades e esperanças levadas na primeira ventania
O silêncio não, o silêncio tem o poder do seus olhos negros intensos
E eu o queria aqui, comigo, a me fitar e engolir.
Sunday, April 22, 2007
Tuesday, April 03, 2007
Se o seu sorriso não fosse tão bonito,
Eu talvez não o quisesse pra mim
Se ao menos o seu cheiro me largasse,
Seria mais fácil não lembrar
Se você não coubesse certinho no meio dos meus peitos
Não seria tão perfeito
Mas é.
Eu poderia passar o resto dos meus dias contando todas as pintinhas do seu corpo.
E ainda assim, quando acabasse, fingiria ter perdido a conta só pra começar de novo.
De novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo...
Eu talvez não o quisesse pra mim
Se ao menos o seu cheiro me largasse,
Seria mais fácil não lembrar
Se você não coubesse certinho no meio dos meus peitos
Não seria tão perfeito
Mas é.
Eu poderia passar o resto dos meus dias contando todas as pintinhas do seu corpo.
E ainda assim, quando acabasse, fingiria ter perdido a conta só pra começar de novo.
De novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo...
Saturday, March 17, 2007
Lar, doce lar
Do meu coração descoberto,
sem abrigo ou teto,
Nem precisou arrombar porta,
porque porta já não tinha.
Ocupou a casa toda,
do banheiro à cozinha.
Mudou tudo de posição,
acabei indo dormir no colchão.
Até que um dia pensei "é agora!"
e te tranquei do lado de fora.
Do meu reino, voltei a ser rainha:
No coração coloquei fechadura, olho mágico e campainha.
sem abrigo ou teto,
Nem precisou arrombar porta,
porque porta já não tinha.
Ocupou a casa toda,
do banheiro à cozinha.
Mudou tudo de posição,
acabei indo dormir no colchão.
Até que um dia pensei "é agora!"
e te tranquei do lado de fora.
Do meu reino, voltei a ser rainha:
No coração coloquei fechadura, olho mágico e campainha.
Friday, February 23, 2007
Castigo
Cortem as asas da borboleta,
Tranquem-na num casulo-calabouço,
Deixem-na sem luz, sem cor, sem ar
Azar - o dela.
Quem mandou querer voar.
Tranquem-na num casulo-calabouço,
Deixem-na sem luz, sem cor, sem ar
Azar - o dela.
Quem mandou querer voar.
Monday, February 05, 2007
Era uma vez...the end.
Era roteiro de cinema, filme de amor pra rir e chorar.
Era bebida, desejo, ponto, escuro, claro.
Céu pintado de azul, rosa e amarelo.
É, era a gente e o céu lindo em cima. Oscar de fotografia.
Mas amanheceu e virou silêncio, daqueles de fazer doer.
Vontade de falar engolida pela vontade de não mudar.
Desistir ao invés de tentar.
Ficou a Lua cheia, a alma vazia,
Os olhares perdidos e a despedida.
Os créditos subiram antes da última cena,
O salgado de lágrima escorreu antes do aplauso.
Agora foi o fim do que nem começou.
Era bebida, desejo, ponto, escuro, claro.
Céu pintado de azul, rosa e amarelo.
É, era a gente e o céu lindo em cima. Oscar de fotografia.
Mas amanheceu e virou silêncio, daqueles de fazer doer.
Vontade de falar engolida pela vontade de não mudar.
Desistir ao invés de tentar.
Ficou a Lua cheia, a alma vazia,
Os olhares perdidos e a despedida.
Os créditos subiram antes da última cena,
O salgado de lágrima escorreu antes do aplauso.
Agora foi o fim do que nem começou.
Saturday, January 06, 2007
Acabou
Tire suas mãos de mim
Se contente a olhar pra trás
Pro porta retrato que você quebrou
Nossa vida em cacos de vidro no chão
Aí você se tranca nesse quarto
E encomenda prazer barato
Eu cansei de me doar
Vou passar batom vermelho
Vestir a saia que você odeia
Voar pra bem longe
Abro as asas
Bato a porta
Pra nunca mais voltar
Faça companhia às garrafas
Não me culpe, foi sua culpa
Acabou
Se contente a olhar pra trás
Pro porta retrato que você quebrou
Nossa vida em cacos de vidro no chão
Aí você se tranca nesse quarto
E encomenda prazer barato
Eu cansei de me doar
Vou passar batom vermelho
Vestir a saia que você odeia
Voar pra bem longe
Abro as asas
Bato a porta
Pra nunca mais voltar
Faça companhia às garrafas
Não me culpe, foi sua culpa
Acabou
Thursday, January 04, 2007
Elas
Ela é soprano. Não vê a hora de ter filhos, todos dizem que nasceu pra ser mãe. Em dias de chuva, imagina a risada gostosa que eles vão ter, o barulho das correrias e brincadeiras pela casa, o cheirinho bom de bolo que ela vai fazer pra eles. Ela quer se casar, mas não precisa ser em Igreja não, contanto que seja de branco e tenha chuva de arroz no fim. Vai ser uma ótima dona de casa, daquelas que põe a mesa pro marido que chegou morto do trabalho. Cuida das plantes, tem um jardim lindo, flor, borboleta, passarinho, balanço. "As crianças vão gostar!" Usa vestido rodado, estampadinho, acha lindo, se sente mais mulher. O marido gosta, a sente mais menina.
É feliz, desde já, desde que nasceu. Vai ser feliz, até a hora da morte, até agora.
Ela já teve o cabelo de todas as cores do arco-íris, "uma hora cai!", vive dizendo sua mãe. Não sabe se gosta mais de meninas ou meninos. Acha confortável passar noites fora, beber e fazer amizades instantâneas. Gosta de provocar homens mais velhos e cometer pequenos furtos. Nunca teve um namorado de verdade, apesar de construir uma imagem de menina super poderosa, é insegura e tem medo de se entregar. Sempre quis ter uma parede preta no quarto e espelho no teto, agora que seu pai morreu, acha que a mãe vai deixar. Pensa em fazer moda ou ser tatuadora se não se suicidar antes dos 25. Por hora, deixa o cabelo vermelho pra realçar o verde do olho.
É infeliz, desde já, desde que nasceu. Vai ser feliz, depois da morte, agora.
Ela é bem sucedida. Apesar de todos os traumas de infância, de ter perdido o pai cedo, etc. Sua mãe era doidona, vivia um eterno Woodstock. Ela nunca quis aquela vida desregrada, ser vegetariana, ser nômade. Queria o turbilhão do século XXI, e conseguiu. Altiva, sapatos caros, de vez em quando cheira pó, mas prefere o whisky no conforto da casa. Tem amigos, faz jantares, "ela é ótima!". Se mastuba com frequência e adora seu batom vermelho. Sai pra dançar, "ballet clássico, a única coisa sensata que ela fez na vida!", se perguntam seu nome, ela sempre mente. Realiza todas suas fantasias sexuais interpretando personagens com os desconhecidos que leva pra casa. Já pensou em ter filhos, mas desistiu da idéia, não tem tempo, fuma muito, gosta do silêncio. Vai se apaixonar pelo entregador de pizza que está tocando a campanhia.
É bipolar, desde já, desde que nasceu. Vai ser feliz, pra sempre.
É feliz, desde já, desde que nasceu. Vai ser feliz, até a hora da morte, até agora.
Ela já teve o cabelo de todas as cores do arco-íris, "uma hora cai!", vive dizendo sua mãe. Não sabe se gosta mais de meninas ou meninos. Acha confortável passar noites fora, beber e fazer amizades instantâneas. Gosta de provocar homens mais velhos e cometer pequenos furtos. Nunca teve um namorado de verdade, apesar de construir uma imagem de menina super poderosa, é insegura e tem medo de se entregar. Sempre quis ter uma parede preta no quarto e espelho no teto, agora que seu pai morreu, acha que a mãe vai deixar. Pensa em fazer moda ou ser tatuadora se não se suicidar antes dos 25. Por hora, deixa o cabelo vermelho pra realçar o verde do olho.
É infeliz, desde já, desde que nasceu. Vai ser feliz, depois da morte, agora.
Ela é bem sucedida. Apesar de todos os traumas de infância, de ter perdido o pai cedo, etc. Sua mãe era doidona, vivia um eterno Woodstock. Ela nunca quis aquela vida desregrada, ser vegetariana, ser nômade. Queria o turbilhão do século XXI, e conseguiu. Altiva, sapatos caros, de vez em quando cheira pó, mas prefere o whisky no conforto da casa. Tem amigos, faz jantares, "ela é ótima!". Se mastuba com frequência e adora seu batom vermelho. Sai pra dançar, "ballet clássico, a única coisa sensata que ela fez na vida!", se perguntam seu nome, ela sempre mente. Realiza todas suas fantasias sexuais interpretando personagens com os desconhecidos que leva pra casa. Já pensou em ter filhos, mas desistiu da idéia, não tem tempo, fuma muito, gosta do silêncio. Vai se apaixonar pelo entregador de pizza que está tocando a campanhia.
É bipolar, desde já, desde que nasceu. Vai ser feliz, pra sempre.
Monday, December 18, 2006
Rascunho
Te amo, mas não quero chorar
Te quero, mas não quero sofrer
Então finjo um presente
em que você é passado
Viro a página a força
E deixo pra trás o nosso amor,
desenho inacabado.
Te quero, mas não quero sofrer
Então finjo um presente
em que você é passado
Viro a página a força
E deixo pra trás o nosso amor,
desenho inacabado.
Wednesday, December 13, 2006
Rock a 4 mãos
Viva os negros do Black!
Viva os negros do Black!
Viva os negros do Black!
Ou seriam os bezouros britânicos?
Não preciso de topete, nem preciso de jaqueta
Suba na minha garupa, baby
Vamos brincar de ser estrelas de cinema
A little less conversation, a little more rock'n'roll, please
Um bend rasgado, um guitarrista apaixonado
Levando à risca a batida de uma vida arriscada Transando ópio e sutiãs ao vento
Como um vírus sem cura, ele ganha o mundo
Baixo, baqueta, palheta
Rebeldes sem/com causa, uni-vos!
God save teh queen?
Não, Deus guarde o clube dos 27
2000: camisa de flanela, moicano, bata hyppie, spikes, cabelo colorido, coturno, all star, bolsa de vinil, moptop, calça cigarrete, tatuagem, maquiagem pesada, piercing.
Anarquia de grife!
Nem Lennon e Yoko
Nem Sid e Nancy
Nem Courtney e Cobain
O filho pródigo sempre retorna aos palcos,
porque essa turnê é eterna
Calma, groupies, o rock não acabou.
(Romã Neptune e Carolina Brunelli)
Viva os negros do Black!
Viva os negros do Black!
Ou seriam os bezouros britânicos?
Não preciso de topete, nem preciso de jaqueta
Suba na minha garupa, baby
Vamos brincar de ser estrelas de cinema
A little less conversation, a little more rock'n'roll, please
Um bend rasgado, um guitarrista apaixonado
Levando à risca a batida de uma vida arriscada Transando ópio e sutiãs ao vento
Como um vírus sem cura, ele ganha o mundo
Baixo, baqueta, palheta
Rebeldes sem/com causa, uni-vos!
God save teh queen?
Não, Deus guarde o clube dos 27
2000: camisa de flanela, moicano, bata hyppie, spikes, cabelo colorido, coturno, all star, bolsa de vinil, moptop, calça cigarrete, tatuagem, maquiagem pesada, piercing.
Anarquia de grife!
Nem Lennon e Yoko
Nem Sid e Nancy
Nem Courtney e Cobain
O filho pródigo sempre retorna aos palcos,
porque essa turnê é eterna
Calma, groupies, o rock não acabou.
(Romã Neptune e Carolina Brunelli)
Tuesday, November 28, 2006
Sexo com C
Teu corpo cobrindo o meu corpo.
Nossas línguas apostando corrida.
Minhas unhas enterradas nas tuas costas.
Teus dentes encrustados na minha carne.
Nós dois descobrindo o céu.
Nossas línguas apostando corrida.
Minhas unhas enterradas nas tuas costas.
Teus dentes encrustados na minha carne.
Nós dois descobrindo o céu.
Poema tímido pra um rato medroso chamado Vitor Paiva
Sempre que te vejo
as bochecas coram
Tenho vontade de desistir,
mas não desito.
Cambaleio, uso as palavras erradas,
Respiro,
mas quando dou por mim,
você já foi embora apressado,
amado Pé-de-Vento.
as bochecas coram
Tenho vontade de desistir,
mas não desito.
Cambaleio, uso as palavras erradas,
Respiro,
mas quando dou por mim,
você já foi embora apressado,
amado Pé-de-Vento.
Tuesday, November 21, 2006
R & F
Ela tinha 10 anos. Ele tinha 15. Improvavelmente, eles se apaixonaram. Ela sofreu horrores, afinal primeiro amor sempre é um tormento. Ele talvez achasse que era mais uma brincadeira. Deram o primeiro beijo 2 anos depois de se conhecerem, a Lagoa como pano de fundo. Até hoje quando ela passa por lá, se lembra daquele dia, em que ela beijou de olhos fechados e com gosto de bubbaloo rosa pela primeira vez.
O tempo passou, a platonice passou, garotos passaram pela vida dela, mulheres pela dele. Mas volta e meia, eles se encontravam, todo ano era assim. E mesmo que o sentimento estivesse diferente a cada encontro, ele nunca desaparecia.
O espaço de tempo entre um encontro e outro foi aumentando. Ela não sentia mais nada por ele, nada mesmo. Ele não entendia. Deixaram pra lá. Ele viajou, ela foi viver. De vez em quando, se ligavam, muito de vez em quando. Era estranho como seus sonhos ficaram distantes, mas não esquecidos, apenas guardados numa caixinha de música, esperando pra que alguém dê corda pra voltar a tocar.
Ontem eles resolveram dar corda. Depois de 8 anos de espera, dançaram. E por mais, que aquele momento já tivesse sido imaginado pelos dois, a realidade foi muito mais doce. Inexplicavelmente emocionante. Ela chorou, sem saber o porquê. Ele sorriu porque sabia que era lindo. Era lindo. Estava sendo lindo. Ela disse 'eu te amo'. Ele também disse. Eles se amavam, plenamente. Lindo.
Ele vai pra França daqui a uma semana. Ela vai ficar aqui. Mas eles vão se encontrar, porque desde ontem eles estão ligados, pra sempre.
“Não foi apenas um encontro de corpos e desejos, foi um encontro de almas.”
O tempo passou, a platonice passou, garotos passaram pela vida dela, mulheres pela dele. Mas volta e meia, eles se encontravam, todo ano era assim. E mesmo que o sentimento estivesse diferente a cada encontro, ele nunca desaparecia.
O espaço de tempo entre um encontro e outro foi aumentando. Ela não sentia mais nada por ele, nada mesmo. Ele não entendia. Deixaram pra lá. Ele viajou, ela foi viver. De vez em quando, se ligavam, muito de vez em quando. Era estranho como seus sonhos ficaram distantes, mas não esquecidos, apenas guardados numa caixinha de música, esperando pra que alguém dê corda pra voltar a tocar.
Ontem eles resolveram dar corda. Depois de 8 anos de espera, dançaram. E por mais, que aquele momento já tivesse sido imaginado pelos dois, a realidade foi muito mais doce. Inexplicavelmente emocionante. Ela chorou, sem saber o porquê. Ele sorriu porque sabia que era lindo. Era lindo. Estava sendo lindo. Ela disse 'eu te amo'. Ele também disse. Eles se amavam, plenamente. Lindo.
Ele vai pra França daqui a uma semana. Ela vai ficar aqui. Mas eles vão se encontrar, porque desde ontem eles estão ligados, pra sempre.
“Não foi apenas um encontro de corpos e desejos, foi um encontro de almas.”
Thursday, October 19, 2006
Soneto brega
Se pela Lua me enamoro,
não tenhas ciúmes,
não há maldade no motivo:
a luz dela me lembra o teu sorriso
Tua beleza é tão sem igual
que nem se eu procurasse na enciclopédia do mundo
acharia estrela, bicho, planta, coisa
mais perfeita que você
E se sussurram:
Está louca! Ou cega..
Encho a boca e grito: não!
Porque és o mais querido,
sentimento mais sentido,
dono do, não mais, meu coração.
não tenhas ciúmes,
não há maldade no motivo:
a luz dela me lembra o teu sorriso
Tua beleza é tão sem igual
que nem se eu procurasse na enciclopédia do mundo
acharia estrela, bicho, planta, coisa
mais perfeita que você
E se sussurram:
Está louca! Ou cega..
Encho a boca e grito: não!
Porque és o mais querido,
sentimento mais sentido,
dono do, não mais, meu coração.
Saturday, October 07, 2006
Menina bonita
Menina bonita
quer um cara bacana
que com seu signo bata
e todo dia diga que te ama
Pois eu te digo:
Uma banana a esses utópicos caras bacanas!
Menina princesa,
se olha no espelho,
passa um batom vermelho,
solta a trança, salta da torre
e se liberta desse pseudo castelo!
Experimenta um mergulho no mar,
um perfume novo, banho de chuva,
ligar o som bem alto,
Vai dançar com a vida, menina!
Uma banana a esses utópicos caras bacanas!
Se liga, menina querida
Deixa pra trás o sonho inventado
por alguém que você nem sabe quem,
vendido a preço baixo, mas custo alto:
o seu coração preso numa gaiola
Levanta, mulher
Enxuga essa lágrima
O amor não é pouco,
O amor não pode ser um só,
amor é mais
Amor é tudo e tá em todas as esquinas
Pára de procurar, vai dar uma voltinha
Banana pros utópicos caras bacanas...
quer um cara bacana
que com seu signo bata
e todo dia diga que te ama
Pois eu te digo:
Uma banana a esses utópicos caras bacanas!
Menina princesa,
se olha no espelho,
passa um batom vermelho,
solta a trança, salta da torre
e se liberta desse pseudo castelo!
Experimenta um mergulho no mar,
um perfume novo, banho de chuva,
ligar o som bem alto,
Vai dançar com a vida, menina!
Uma banana a esses utópicos caras bacanas!
Se liga, menina querida
Deixa pra trás o sonho inventado
por alguém que você nem sabe quem,
vendido a preço baixo, mas custo alto:
o seu coração preso numa gaiola
Levanta, mulher
Enxuga essa lágrima
O amor não é pouco,
O amor não pode ser um só,
amor é mais
Amor é tudo e tá em todas as esquinas
Pára de procurar, vai dar uma voltinha
Banana pros utópicos caras bacanas...
Thursday, October 05, 2006
Agosto
Eu, nua, na sua cama,
Observo o jeito que você segura o cigarro.
Você me diz que a cena daria uma boa foto
E eu imagino um poema pra você contar pros seus netos.
Observo o jeito que você segura o cigarro.
Você me diz que a cena daria uma boa foto
E eu imagino um poema pra você contar pros seus netos.
Sunday, October 01, 2006
Mito
"Tudo que você sabe sobre os homens é verdade! Eu não sou tão inteligente como você acha. Só penso em duas coisas: sexo e música. Literatura às vezes."
Wednesday, September 27, 2006
Obrigada!
Origada às bocas que inspiram a minha existência.
Obrigada às bocas que aplaudem a minha existência.
Noite de CEP 20000. Som, palavra, cerveja, surpresa, confetes, loucura, estréia.
Quero isso na minha vida pra sempre!
Pra sempre.
Pra sempre.
Pra sempre.
Obrigada!
Obrigada às bocas que aplaudem a minha existência.
Noite de CEP 20000. Som, palavra, cerveja, surpresa, confetes, loucura, estréia.
Quero isso na minha vida pra sempre!
Pra sempre.
Pra sempre.
Pra sempre.
Obrigada!
Saturday, September 16, 2006
Cadência
Eu, você
Violão, fogueira, estrela
A gente, estrela
O clichê mais bonito que o homem inventou.
Monday, September 11, 2006
Primeiro
Após uma tentativa frustrada de encontrar a fantasia perfeita pra festa, me encontro sentada no metrô.
Exatamente entre uma senhora mascando chiclete desagradavelmente e um homem de bigode bem preto que só faz balançar a cabeça em devaneios e rir aquele tipo de risada que só os homens de bigode riem.
Bem na minha frente há um homem e uma mulher com uma menina de pernas abertas e saia sentada em seu colo.
Ao lado deles, um homem - desses homens estranhos quem andam de metrô – nem novo, nem velho, quase calvo, olhar perturbado, meio transbordando pros lados a todo instante. Carrega uma espécie de fichário cujos dizeres “11º Festival de...” não consegui terminar de ler porque a risada do homem de bigode foi muito alta desta vez e roubou minha atenção.
O alvo do ‘risinho seguido do balançar de cabeça em devaneios’ é um casal de jovens que em pé se abraçam, se beijam e sussurram coisinhas de amor ao pé do ouvido. Achei a cena engraçado, a reação que eles causam no homem de bigode. Quis mergulhar na mente dele pra resgatar suas lembranças, porque com essa risada e balançar de cabeça só pode ter lembrança das boas no meio!
Duas estações a mais e paro pra observar as pessoas à minha frente com mais atenção, chego à conclusão que o cara ao lado da mulher é o pai da menina. (Ele acaba de dar mais um gole do guaraná à filha mimada, retrato da filha que eu não quero ter.) Aliás, eu adoro fazer isso, ficar analisando a genética alheia. A menina tem os olhos, a sobrancelha e o tipo físico do pai, o resto é da mãe..
Agora exatamente a mulher do chiclete se inclina pra perto de mim, o barulho dela mastigando entra insuportavelmente no meu ouvido, tento me afasta e fingir que parei de escrever, olho pra frente e me deparo com a menina prestes a abrir o berreiro.
E antes que eu pudesse achar o barulho do chiclete insuportável, já que a mulher esgueira-se pra enxergar alguma coisa, a menina mimada irritante, o cara estranho ainda mais estranho, o homem de bigode se incomodar com a minha escrita indiscreta, o grude do casal meloso demais e a minha letra péssima, uma voz artificial me diz: “Próxima estação: Siqueira Campos. Desembarque pelo lado direito.”
Não dá tempo de dobrar o papel, nem guardar a lapiseira, todos saem em debandada e eu satisfeita olho praquela gente como se dissesse: Brigada, tá pronto o primeiro texto do meu blog.
Exatamente entre uma senhora mascando chiclete desagradavelmente e um homem de bigode bem preto que só faz balançar a cabeça em devaneios e rir aquele tipo de risada que só os homens de bigode riem.
Bem na minha frente há um homem e uma mulher com uma menina de pernas abertas e saia sentada em seu colo.
Ao lado deles, um homem - desses homens estranhos quem andam de metrô – nem novo, nem velho, quase calvo, olhar perturbado, meio transbordando pros lados a todo instante. Carrega uma espécie de fichário cujos dizeres “11º Festival de...” não consegui terminar de ler porque a risada do homem de bigode foi muito alta desta vez e roubou minha atenção.
O alvo do ‘risinho seguido do balançar de cabeça em devaneios’ é um casal de jovens que em pé se abraçam, se beijam e sussurram coisinhas de amor ao pé do ouvido. Achei a cena engraçado, a reação que eles causam no homem de bigode. Quis mergulhar na mente dele pra resgatar suas lembranças, porque com essa risada e balançar de cabeça só pode ter lembrança das boas no meio!
Duas estações a mais e paro pra observar as pessoas à minha frente com mais atenção, chego à conclusão que o cara ao lado da mulher é o pai da menina. (Ele acaba de dar mais um gole do guaraná à filha mimada, retrato da filha que eu não quero ter.) Aliás, eu adoro fazer isso, ficar analisando a genética alheia. A menina tem os olhos, a sobrancelha e o tipo físico do pai, o resto é da mãe..
Agora exatamente a mulher do chiclete se inclina pra perto de mim, o barulho dela mastigando entra insuportavelmente no meu ouvido, tento me afasta e fingir que parei de escrever, olho pra frente e me deparo com a menina prestes a abrir o berreiro.
E antes que eu pudesse achar o barulho do chiclete insuportável, já que a mulher esgueira-se pra enxergar alguma coisa, a menina mimada irritante, o cara estranho ainda mais estranho, o homem de bigode se incomodar com a minha escrita indiscreta, o grude do casal meloso demais e a minha letra péssima, uma voz artificial me diz: “Próxima estação: Siqueira Campos. Desembarque pelo lado direito.”
Não dá tempo de dobrar o papel, nem guardar a lapiseira, todos saem em debandada e eu satisfeita olho praquela gente como se dissesse: Brigada, tá pronto o primeiro texto do meu blog.
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