Friday, January 20, 2012

Amor-passarinho:

O mundo, sua casa.
Meu peito, seu ninho.

Thursday, December 15, 2011

Quando o olhar não permite fuga
cabo-de-guerra ao avesso: quem solta a corda ganha também
Quando dá água na boca e quem manda é o corpo,
supera a razão, provoca o encontro
Encosta, arrepia, já era
Quando a sede só é saciada com língua, beijo e mordida,
é pele que sua, molha e não desgruda
Quando tudo aprendido então faz sentido:
seu abraço encontrou meu sorriso.
Entrega.

Sunday, November 27, 2011

Pode ser de dentro pra fora
ou de fora pra dentro
Poesia é movimento
Cambalhota, salto a distância, passo a frente

Sua procura já é um achado
Luz no fim do túnel, pôr-do-sol no fim do dia
Feita em sonho ou sala de espera de dentista
Passatempo, caça-palavras, quebra-cabeça

Sobre céus e infernos
É queda-de-braço, luta livre, parto sem anestesia
Tudo o que falta e o que transborda é poesia

Monday, October 24, 2011

Amor natural

Poucas coisas nesse mundo superam a delícia de, ainda dormindo,
sentir o membro do homem amado já acordado.
Sem abrir os olhos, entregar o corpo sonolento
ao comando de seu desejo badalando as 12 horas.
Então, o que era botão abre-se em flor.
E deste sonho de vai-e-vem sonâmbulo,
desperto num gozo doce de bom dia.

Friday, September 30, 2011

Casa da Cachaça

Na esquina da Mem de Sá,
a última ponta, o último gole no gengibre, a última ronda
Olhos vermelhos caçam
Bocas vermelhas querem
Nem sempre se encontram: já é sábado.

Tuesday, July 19, 2011

Acumulo atravessamentos
Turistas que, tão logo conhecem minhas paisagens, sentem saudade da terra natal
ou tem ânsia de seguir viagem
Todos partem
E carregam consigo pedaços de mim
Quero quem faça de mim morada
Quero quem finque bandeira no meio de minh’alma
Quero gente que fique

Thursday, June 30, 2011

Dentro de mim correm rios-serpentinas, mares infinitos espumando em pedras antigas
Há um sol se pondo em rosa, laranja e vermelho a cada cinco minutos
A estrela mais brilhante acompanha uma lua filete de sorriso de gato da Alice e outra lua cheia, prestes a parir
Um sol nasce rei toda vez que meu corpo acorda céu azul
Às vezes chove, acima da média esperada para o mês de julho
Aí eu nado em angústia, bóio à deriva na minha própria imensidão
E logo depois me torno deserto, quilômetros e quilômetros de veias, órgãos, músculos, ossos e reações químicas existindo sem um fim
Mas é quando a sede cega encontra o nó mais apertado da garganta,
Que nasce uma flor-oásis na palma da minha mão
Com uma coceira que não dá pra alcançar, sinto que ganhei asas
Sobrevôo esse planeta misterioso que sou,
Sobrevivo mais uma vez a esse eclipse em carne viva que é ser eu.