Wednesday, July 19, 2017

Covardia

o escuro do quarto apertado
o som quase mudo das teclas
foi o que sobrou da falta de coragem
de mudar de vida
deixar de ser vítima
admitir que o amor já não arde
voar pra Índia
dar a cara a tapa
de pular de paraquedas
ou de um prédio
no fundo
no fundo todo poeta é covarde

Monday, June 19, 2017

Devaneio

Matéria
orgânica
Paisagem
onírica
No futuro
tudo
terá
sido
Sonho

Sunday, October 09, 2016

Despedida

Você vai me perder Sem nem perceber Que a flor do meu peito sem cuidado seca Você vai me perder Não vai demorar O sangue que escorre uma hora estanca Você vai me perder Tenha certeza Quando não houver mais lágrima não sobrará nada Você vai me perder Não ficará rastro, nem pegada O que o tempo cura ele também afasta Você vai me perder Assim que enxergar seu coração-terreno-baldio Onde morava amor só restará o vazio

Saturday, September 10, 2016

Saturday, July 18, 2015

Dia fora do tempo

num lampejo em que o olhar se cruza
o bastante
devaneio vira arquitetura 
maozinha do acaso transformou magnetismo em matéria
colidindo corpos ao som de Sidney Magal
"juntos essa noite / quero te dar todo meu amor"
movimento tão natural do teu braço envolvendo minha cintura
como se ali já morasse história antiga
gastando onda, ganhando uvas
molhou meu desejo no seu sotaque
aprendeu a dançar no baile e na cama
me enxerguei dentro de tu
se enxergou dentro de mim
olho de go-pro
bom de partilhar cigarro e segredo
metaliguistica, conexões & pintas nos ombros
eu achando que era marra, era áries com touro
gosto de pensar que num universo paralelo
eu não teria ido embora

Monday, September 01, 2014

Setembro

Vem, setembro,
Convencer que corda-bamba não é lugar pra coração
Diz pra ele esquecer essa história de ser equilibrista,
Pra ele pular, que meu peito tem rede de proteção
Vem, setembro
Ventar a sujeira que escondi embaixo do tapete
Ou melhor, joga logo esse tapete fora
Deixa só as árvores floridas

e a poesia na ponta da minha língua


Friday, August 02, 2013

enquanto o mundo se move
mata come estupra destrói corrompe
eu olho a Lua e me pergunto no que o primeiro homem pensou
ao ver a imensa bola branca flutuando no escuro da noite
quanto sangue derramado
quanto amor desesperado
buracos buracos buracos
e ela, a mesma, testemunha dessa história
cheia de beleza e dor,
me reluz a certeza:
a gente só acaba
quando ninguém mais olhar pro céu.

Monday, January 14, 2013

Todo mundo tem um buraco no peito
E o que pulsa dentro dele nunca cabe de pronto
Passa a vida apertado ou solto
Até encontrar o encaixe perfeito
No corpo de outro

O que acelera
É o músculo pulando, querendo logo sair pela boca
Dissolver-se na língua,
Ser engolido saliva
Pra, só então, desembocar Coração
Na cavidade que antes era oca


Monday, November 19, 2012

Workshop para aprender a dizer "não"

(Com Alice Souto)

- Todos digam "não"!
- Viu como dizer “não” pode ser difícil?
- O que é melhor, dizer que você foi pintar a unha do cachorro da sua avó ou não responder nada?
- Educação também é dizer “não”.
- Você nem sabia que ia dormir com o cara, mas já falou o que ia fazer amanhã, porque você diz o que vai fazer amanhã pra qualquer pessoa, quando ainda é ontem, antes dela se tornar o cara. Mas você dormiu com ele, é hoje e ele pergunta daquele show. Mas pra você ontem já passou. E agora, como dizer que não rola? Você se enrola...
- Ou chega uma menina que você fica há um tempo, mas que resolveu te enxergar só agora e coloca para fora todas as sentimentalidades que um dia você quis ouvir, mas no momento você tá indo encontrar com outra, que a essa altura já é a atual, na porta do banheiro... Num bate um desespero?
(Bater tambores)
- “O silêncio gera expectativa”
- E a expectativa estraga a festa.
- Dizer "não" é dar opção do outro cair fora.
- Um "não" é melhor que nada.
- Ninguém deve satisfação! 
- Mas o teu silêncio alimenta a nóia das mina.
- Fica o “dito pelo não dito”.
- Às vezes você fala pouco e diz tudo, às vezes você não diz nada e deixa que os outros falem por você.
- O silêncio é uma folha em branco.
- Deixa qualquer um quicando.
- É um discurso sem palavras.
- E para bom entendedor qualquer pingo é letra.
- Mas quando o cara diz “não” de repente a mina fica puta e é chato. 
- Qual é problema da mina ficar puta? Aí é com ela. Pelo menos você foi sincero. Ou será que era só mais um contato para botar na gaveta?
- Não abre mão de ter o outro a mão.
- Nos dois casos as mina pira.
- “ Vai, meu coração, ouve a razão, usa só sinceridade!” Telefone só se for ligar. Quem quer dá um jeito quem não quer dá desculpa. Antes cair das nuvens que de um terceiro andar.
- Alô, malandragem, um dado de realidade:
A gente se vê uma ova!,  carioca da gema.
O Rio de Janeiro é um ovo.
Claro que a gente se vê: com outro.
- A Mem de Sá é uma província.
Todo mundo se conhece na Casa da Cachaça
A mina que pira podia ser sua amiga
Dependendo do que você diga
- Seja generoso:
Diga "não"!
- O "não" liberta
Diga "não"!

Sunday, November 11, 2012

Veneno

Pra mim chega
de esperar o que eu sei que não viria,
de fazer afago em ponta de faca
O que você chama de liberdade não é o meu vôo,
suas asas não cabem em mim
Eu quero mais, você quer o novo
Eu quero sempre, você movimento
Até entendo, mas essa onda eu não seguro
O que meus olhos vêem, meu coração sente
E é como veneno se espalhando na boca,
misturando amargo e doce
Pode não ser letal, mas entorpece
Como é mesmo aquele outro ditado?
O que não me mata, fortalece

Sunday, October 21, 2012

Noite do Norte



Que esquisito me assistir. Que esquisito me assistir bebinha. Alguns brancos, vários palavrões e um auto-entretenimento que não tem preço. E tu, visitante do Jardim, me diz o que achou. ;)

Monday, October 15, 2012

À Flora















Ela chega
de cabelo solto e riso também
Flor ao vento displicente
Não há quem não queira seu bem
Guarda no peito estrela cadente,
sorte vestida de prata
Brilha no escuro, inteira festa

Brinca com fogo e nem sente,
deixa queimar
Foi o balanço de seus quadris
que inspirou as ondas do mar
Tempestade em dia quente,
quero me molhar

Feito fera com fome me olha indecente,
aceito o destino inevitável de ser sua presa
Vem cá, menina, faz da cama sua mesa
e  devora, felina, com amor, unhas e dentes seu banquete

Tuesday, October 09, 2012

Stalker

Não podendo habitar
seu coração
Não há um dia que passe sem visitar
seu perfil

Monday, October 08, 2012

Tuesday, October 02, 2012

Bilhete

Faz sete meses que a gente se encontra,
quase sempre depois das três da manhã

Você vai embora pra França
e eu percebi que não saberia descrever o formato dos seus dentes,
nem explicar de onde seu sobrenome vem

Embora não precise fechar os olhos pra lembrar
da temperatura, do gosto e do tamanho do seu pau
Sempre que eu lembro, eles se fecham involuntariamente

Por enquanto, isso é um bilhete de despedida
Sendo assim, eu posso dizer que
gosto muito de você de camisa branca
e do fato de você me chamar sempre de menina

Quando cê voltar, talvez isso possa ser poesia

Sunday, September 09, 2012

Wednesday, August 29, 2012

Delírio tropical

Caminhar no verão ao meio-dia:
suor pinga e o Sol me desafia
Febril, sempre penso
Haverá um tempo em que mulher
vai poder tirar camisa?

Tuesday, August 28, 2012

Por um triz

São dez e meia da manhã de uma terça-feira nublada. Mas não choro por estar nublado. Nem choro porque estou ouvindo uma música triste. Choro porque carrego em mim uma terça-feira nublada e uma música triste. Elas rolam de meus olhos em formato de pérolas. E eu sinto como um milagre. Chorando colares de pérolas que não adornarão pescoços nenhum, pois secam antes de chegar lá. Chorando colares de pérola dentro do mar, perdendo as contas, segurando as pernas, deixando água entrar pela boca, nariz, deixar de respirar. Mas sempre existe um fiapo de existência que não deixa os olhos fecharem de uma vez, que faz eu me debater e procurar a superfície. Por pouco, não sei deixar de estar viva. Essa força inevitável e brutal que me pede a coragem que eu não sei se tenho. Penso que se ela me pede é porque tenho. Tenho que desistir de desistir, nadar pra cima, achar o céu e contemplá-lo. E agradecer por mais uma vez estar olhando para ele e saber enxergar sua beleza. Por não ter afundado, por saber boiar. Por um fiapo de existência. Por um triz.





Sunday, August 05, 2012

Pernalonga

Do que no passado foi piada
hoje acho graça quando tenho pressa.

Wednesday, June 27, 2012

Acordei com a vontade de ser o Sol
que invade sua cama, mas não incomoda,
te puxa pra vida.
E quando tu vê tá cantarolando
música que você não sabe de onde vem
Quero ser essa música,
que não precisa de esforço pra lembrar, só saber assoviar
Morar dentro de você, passarinho cantando eu te amo
E trazer pra qualquer segunda-feira a beleza dos domingos sem pressa.