Tuesday, October 02, 2012

Bilhete

Faz sete meses que a gente se encontra,
quase sempre depois das três da manhã

Você vai embora pra França
e eu percebi que não saberia descrever o formato dos seus dentes,
nem explicar de onde seu sobrenome vem

Embora não precise fechar os olhos pra lembrar
da temperatura, do gosto e do tamanho do seu pau
Sempre que eu lembro, eles se fecham involuntariamente

Por enquanto, isso é um bilhete de despedida
Sendo assim, eu posso dizer que
gosto muito de você de camisa branca
e do fato de você me chamar sempre de menina

Quando cê voltar, talvez isso possa ser poesia

6 comments:

Adiron Marcos Barros Costa said...

Puxa,minha amiga e colega,que lindo....lindo lindo lindo mesmo este poema!!!!

Marcelo R. Rezende said...

A gente lembra da conveniência do encontro. O pau fez-se importante, mais do que o sorriso ou a árvore genealógica. Sempre tem um motivo e no poema eles se mostram nos olhos fechados, acho.

Beijo.

Zuza Zapata said...

Sensacional Romã!

Beijos

Zuza

escrevoeamodepauduro.blogspot.com

Alice said...

Intenso como vida de poeta!

Fabiano Pires said...

que seja infinito enquanto "duro"

Romã said...

Marcelo fez a leitura precisa.
Adorei os comentários! Vou tentar interagir mais por aqui. ;)