Sunday, October 21, 2012

Noite do Norte



Que esquisito me assistir. Que esquisito me assistir bebinha. Alguns brancos, vários palavrões e um auto-entretenimento que não tem preço. E tu, visitante do Jardim, me diz o que achou. ;)

Monday, October 15, 2012

À Flora















Ela chega
de cabelo solto e riso também
Flor ao vento displicente
Não há quem não queira seu bem
Guarda no peito estrela cadente,
sorte vestida de prata
Brilha no escuro, inteira festa

Brinca com fogo e nem sente,
deixa queimar
Foi o balanço de seus quadris
que inspirou as ondas do mar
Tempestade em dia quente,
quero me molhar

Feito fera com fome me olha indecente,
aceito o destino inevitável de ser sua presa
Vem cá, menina, faz da cama sua mesa
e  devora, felina, com amor, unhas e dentes seu banquete

Tuesday, October 09, 2012

Stalker

Não podendo habitar
seu coração
Não há um dia que passe sem visitar
seu perfil

Monday, October 08, 2012

Tuesday, October 02, 2012

Bilhete

Faz sete meses que a gente se encontra,
quase sempre depois das três da manhã

Você vai embora pra França
e eu percebi que não saberia descrever o formato dos seus dentes,
nem explicar de onde seu sobrenome vem

Embora não precise fechar os olhos pra lembrar
da temperatura, do gosto e do tamanho do seu pau
Sempre que eu lembro, eles se fecham involuntariamente

Por enquanto, isso é um bilhete de despedida
Sendo assim, eu posso dizer que
gosto muito de você de camisa branca
e do fato de você me chamar sempre de menina

Quando cê voltar, talvez isso possa ser poesia

Sunday, September 09, 2012

Wednesday, August 29, 2012

Delírio tropical

Caminhar no verão ao meio-dia:
suor pinga e o Sol me desafia
Febril, sempre penso
Haverá um tempo em que mulher
vai poder tirar camisa?

Tuesday, August 28, 2012

Por um triz

São dez e meia da manhã de uma terça-feira nublada. Mas não choro por estar nublado. Nem choro porque estou ouvindo uma música triste. Choro porque carrego em mim uma terça-feira nublada e uma música triste. Elas rolam de meus olhos em formato de pérolas. E eu sinto como um milagre. Chorando colares de pérolas que não adornarão pescoços nenhum, pois secam antes de chegar lá. Chorando colares de pérola dentro do mar, perdendo as contas, segurando as pernas, deixando água entrar pela boca, nariz, deixar de respirar. Mas sempre existe um fiapo de existência que não deixa os olhos fecharem de uma vez, que faz eu me debater e procurar a superfície. Por pouco, não sei deixar de estar viva. Essa força inevitável e brutal que me pede a coragem que eu não sei se tenho. Penso que se ela me pede é porque tenho. Tenho que desistir de desistir, nadar pra cima, achar o céu e contemplá-lo. E agradecer por mais uma vez estar olhando para ele e saber enxergar sua beleza. Por não ter afundado, por saber boiar. Por um fiapo de existência. Por um triz.





Sunday, August 05, 2012

Pernalonga

Do que no passado foi piada
hoje acho graça quando tenho pressa.

Wednesday, June 27, 2012

Acordei com a vontade de ser o Sol
que invade sua cama, mas não incomoda,
te puxa pra vida.
E quando tu vê tá cantarolando
música que você não sabe de onde vem
Quero ser essa música,
que não precisa de esforço pra lembrar, só saber assoviar
Morar dentro de você, passarinho cantando eu te amo
E trazer pra qualquer segunda-feira a beleza dos domingos sem pressa.

Saturday, May 26, 2012

Viagem

Chegando ao trabalho,
a vitrine da loja de motos:
preta, branca, vermelha e amarela,
que nem a sua
Cabelo solto no vento,
sinal fechado,
sua mão na minha coxa...
Viagem que todo dia quase me faz perder o ponto.

Sunday, May 13, 2012

Quilombo São José

Vencer o medo
Entrar na roda
Rodar a saia
que eu não vestia
Mas que ainda assim girava
feito minha cabeça
e as cores de gente em volta
Com a licença das almas
e a benção dos tambores
jonguei-me.

Sunday, April 08, 2012

Aldeia Velha

Acordar quando o calor impede o sono
Cama boa é pedra,
mão na agüinha,
cor de verde de verdade

Espelho, relógio, sapato, eu passo
Nada disso é preciso pra ser feliz no mato

De noite, a lua cheia ilumina e faz sombra,
a caminhada mágica dispensa eletricidade

Voltar é concluir que na cidade nada faz sentido.

Saturday, March 17, 2012

Para Ericson Pires

Pelo celular chega a explicação pra esse sábado nublado:
O poeta se foi.
Emendo lembranças e as orações que ainda sei.
Pela janela do ônibus, o sol resiste e brilha nas águas da Lagoa.
É ele.
É nesse instante precioso que as lágrimas vêm.

Tuesday, February 28, 2012

Nada como um dia suado pra dar valor à água que lava o sufoco,
traz o suspiro de dever cumprido
e renova a fé de que o que trago no peito é raíz forte
pronta pra varar terra, correr mundo
No travesseiro, pensamento gira, mas o coração acredita:
“Amanhã vai ser outro dia”, já cantou o poeta
Pois eu digo que vai ser melhor.

Friday, January 20, 2012

Thursday, December 15, 2011

Quando o olhar não permite fuga
cabo-de-guerra ao avesso: quem solta a corda ganha também
Quando dá água na boca e quem manda é o corpo,
supera a razão, provoca o encontro
Encosta, arrepia, já era
Quando a sede só é saciada com língua, beijo e mordida,
é pele que sua, molha e não desgruda
Quando tudo aprendido então faz sentido:
seu abraço encontrou meu sorriso.
A rima tá feita. Entrega.

Sunday, November 27, 2011

Pode ser de dentro pra fora
ou de fora pra dentro
Poesia é movimento
Cambalhota, salto a distância, passo a frente

Sua procura já é um achado
Luz no fim do túnel, pôr-do-sol no fim do dia
Feita em sonho ou sala de espera de dentista
Passatempo, caça-palavras, quebra-cabeça

Sobre céus e infernos
É queda-de-braço, luta livre, parto sem anestesia
Tudo o que falta e o que transborda é poesia

Monday, October 24, 2011

Amor natural

Poucas coisas nesse mundo superam a delícia de, ainda dormindo,
sentir o membro do homem amado já acordado.
Sem abrir os olhos, entregar o corpo sonolento
ao comando de seu desejo badalando as 12 horas.
Então, o que era botão abre-se em flor.
E deste sonho de vai-e-vem sonâmbulo,
desperto num gozo doce de bom dia.

Friday, September 30, 2011

Casa da Cachaça

Na esquina da Mem de Sá,
a última ponta, o último gole no gengibre, a última ronda
Olhos vermelhos caçam
Bocas vermelhas querem
Nem sempre se encontram: já é sábado.