Friday, August 06, 2010

Pílula do dia seguinte

Ingerida com a ajuda de um gole d'água
faz sumir a preocupação da barriga
Joga-se fora a embalagem
e torna-se flagrante a efemeridade do encontro
Fazendo varrer para mesma lata de lixo as lembranças de ontem
Antes que cismassem em querer morar aqui dentro por mais tempo.

Sunday, July 11, 2010

Ignorar é coisa difícil
Quando já se dormiu e acordou juntos tantas vezes
Sempre achei que nunca devia terminar assim
Que o amor é maior
Mas nesse mundo tudo é rótulo, lacre, algema
O que sinto não tem nome e é grande
Grande demais, maior do você pode enxergar
Rezo por um milagre que chegue por trás, de fininho
Te dando susto, mostrando o pulo do gato
que é essa vida
Te curando do soluço que te impede de voar

Tuesday, June 29, 2010

Queria que algo bem grande acontecesse pra varrer essas folhas secas do quintal. Pra transportar esses anseios, nós na garganta, alterações de humor pra outra década. Pra quando não mais fizessem sentido, sequer fossem lembrados, Polaroid ao contrário.
O inacabado cansa. O acabado machuca. Quero janelas novas. Quero brisa, frescor. Basta desse ranço de emoções de um intenso que não sacia. Quero a candura. O riso solto. Os ombros também.
Corpo já não agüenta, cabeça já não agüenta. Quero saber seguir adiante, com minhas próprias pernas longas e levemente arqueadas, a passos confortáveis, por outros caminhos. E se tropeçar, quero aconchego, braços abertos, “vai passar”.
Não quero dormir pra esquecer. Quero conseguir ficar acordada. Sem dor.

Tuesday, May 11, 2010

Versos avulsos

1.
Dia seguinte:
- Recolher as peças de roupa espalhadas pelo chão. E o coração que ficou embaixo de algum móvel pra não se envolver.


2.
Enquanto dormia, tive vontade de amanhecer.

Ciúme:

mosquito zumbindo no ouvido
quando tudo que se quer é dormir.

Sunday, March 21, 2010

Domingo:

ligar só pra te dizer que
já li Simmel, Becker e Weber,
caí no sono sem perceber,
quando acordei, comi Ana Maria de brigadeiro
enquanto pesquiso sobre Gestalt,
olhar pra sua cueca preferida vestindo meu corpo
me emociona e me faz
ligar só pra dizer que



te amo.

Wednesday, May 20, 2009

Para Romã, minha filha amada e querida

Para falar a sério
Tem que ser com a cara lavada
Para falar de madrugada
Só com linho e cachaça
Para falar o que você quer falar
Não adianta o telefone, nem e-mail, nem skipe, nem nada
Somente a transmissão de pensamento e tudo de bom, de bom
Que falta você faz, nessas noites de bobeira
Sem espelhos nem fumaça apenas seu olhar, teu corpo, seus cabelos
Uma vela acesa lá no fundo do quintal
Um banquinho para dois, um violão
E aquele mar de estrelas sob nossas cabeças
Como te esquecer? A tua cara triste, o teu sorriso, a sua manhã, seu dengo
Gata, menina, onde é que você está?
No verão da Bahia ou no frio em barão de Mauá
Deixa para lá, o outono ta aí
Minha velha guitarra ainda toca nossas canções
Nada nessa vida vale mais que você no meu coração
Um tom lilás para apaziguar todos problemas
Sozinho no Arpoador vendo o por do sol
Pensando em você
Um veleiro ao longe
O barulho das ondas do mar
Uma canção de ninar, no luar, lumiar...

Nordahl C. Neptune - 28/04/09

Friday, May 01, 2009

Poema-sonho

Enquanto durmo, escrevo meus melhores poemas.
Sai tudo redondinho, as metáforas, criativas, as palavras, certeiras,
Flecha bem no alvo.
Mas é só o vira-lata latir anunciando que a vida lá fora amanheceu,
E os olhos se abrirem espreguiçando-se,
Que correm todos, os poemas, pra debaixo da pálpebra
Ali, onde ficarão brincando com os meus sonhos de amanhã.

Wednesday, April 01, 2009

Astronauta

Sonhei que você era astronauta,
que entre uma missão intergaláctica e outra,
voltava pra casa e me dava de presente
a estrela mais brilhante de todo Universo: nós dois.



(Fiquei tão feliz de achar esse poeminha solto num caderno!)

Saturday, March 07, 2009

Dois

(Para Botika e Vitor Paiva)

Ali,
Sob a mesma luz.
Diante de mim.
Eram dois e ao mesmo tempo um só.
Dois que, quando juntos, se transformam
num Ser feito de lembranças, desejo e afeto
que pulsa dentro de mim.
Sob a mesma luz.
Um, festa de 15 anos,
Outro, meus 20 e poucos
Um, a expectativa e a verdade que só o tempo faz descobrir.
Outro, a surpresa do que nunca foi esperado.
Sonho e realidade, lado a lado.
Sob a mesma luz,
Enfim, irmãos.
Filhos do meu amor.

Thursday, March 20, 2008

Descoberta

Antes que as sílabas fugissem da minha boca, 
seus olhos me descobriram sem pestanejar 
Porque se tem coisa que o corpo não sabe é mentir. 
Eu já não sei se o verde do seu olho é seu mesmo ou se é o meu dentro de você. 
Entendi que muito antes de ser palavra, 
Amor é mergulho, queda-livre no olho do outro.

Saturday, December 15, 2007

Contrato

- Dorme comigo?
Não fujo, me rendo.
Me rasga, me arranha,
Te mordo pra guardar na língua teu gosto.
No meu ouvido, sussurra o que eu quero ouvir,
sorrio de prazer e te agradeço:
- Também adoro você dentro de mim.
Enquanto dorme, te espio.
Naquele momento, te amo
e chego até a sonhar: perigo!
Me viro de lado e me deparo com um espelho
que me lembra as regras do jogo:
Entre nós só os lençóis
e, na manhã de chuva fina do dia seguinte,
dividimos apenas o guarda-chuva e o silêncio.

Wednesday, September 26, 2007

Adeus

Entre sem bater
Me ame mesmo que doer
Perdoe meu punhal
Às vezes, é preciso sangrar
Das estrelas, engula o brilho
Chore doce, abrace a dor como um filho
Repouse em mim o seu pavor
Às vezes, é melhor morrer
Acenda a luz e estufe o peito
Na manga, ainda tem um ás:
Acorda pro amanhã, meu bem,
que o meu já não vem mais.

Friday, September 14, 2007

O sorriso que dá quando deixa em mim suas lágrimas, em gozos, extaziado,
é a armadilha em que mais desejo cair e que me abre feito céu de sábado.

Sou tua quando beijo o azul da tua alma-olho,
És meu quando ri me vendo dormir

Nossa cama, braços abertos em sussurros,
declarações delirantes, mas nem por isso sem valor
Pelo contrário, é por elas que nos despimos e somos somente Amor.

Saturday, August 11, 2007

A tela em branco me encara como quem duvida dos meus pensamentos. Sou eu, ela e a voz da canção que canta dentro de mim.
Mais um cigarro, e outro, e nada.
Calor, tiro o casaco, ela continua me olhando. “Diz aí!”.
Penso com meus botões que só o que posso dá-la é o vento frio que entra pela janela, o meu saboroso gole d’água e o refrão compassado. O resto é todo meu, sensações e lembranças, rápidas demais pra virarem palavras. Carrossel colorido e preto-e-branco.
Deito na cama, fecho os olhos, ouço o burburinho da rua e engulo o meu próprio silêncio.
Ahhh, não cansa de mim? Pois até eu me canso! Ou seria principalmente eu me canso...
Tantas letrinhas, numerozinhos e sinaizinhos, não são o que eu preciso.
Como se escreve um assovio? E os lábios dele nos meus? Ou a dor gostosa das risadas de ontem?
É tudo de verdade demais pra se acorrentar.
Dou-me por vencida, te desligo e vou sonhar.

Wednesday, July 11, 2007

Saudade

Do riso que faz a barriga doer
Do balanço que faz o pé tocar o céu
Do vento batendo no rosto
Das palavras que devia ter dito
Do beijo que não ganhei
Do porre pra esquecer o que passou
Dos abraços de amizade
Das mentiras ditas aos sussurros
Do grande amor que iria achar
Dos filhos ainda sonhos
Da barriga crescida
Do primeiro sorriso
Das lágrimas de desespero
Do cheiro de mesa posta
Das flores no túmulo

Sinto saudade do que vi e do que ainda não vivi.
Sinto saudade do que sou e do que nunca serei.
Sinto saudade da vida e da morte.
Sinto saudade.

Wednesday, June 20, 2007

Queria ser o cigarro que manuseias com tanta destreza,
O vício sorrateiro que consome teu pulmão
A bala perdida que te alcança na esquina pra lembrar-te do dia em que perdida me deixou.
Sentirias o sangue quente na garganta feito o não-amor que me fere por dentro
E enfim morrerias arrependido por ter reencarnado na mesma vida que eu.

Friday, May 25, 2007

Quando ele vai embora

No mundo da Lua, com o coração na mão e as bochechas em brasa.
É assim que eu fico, quando ele vai embora.

Friday, May 18, 2007

Nesses últimos dias, tenho encontrado tanta gente por acaso e mesmo que tais pessoas não sejam realmente próximos, achei bom ver rostos conhecidos no meio do turbilhão das ruas. Talvez esteja desacostumada com o movimento, as cores, a pressa da cidade. Tenho ficado muito tempo reclusa, usando a linguagem escrita em conversas virtuais e a falada com uma única pessoa que, graças a Deus, consegue entender a minha incapacidade de me expressar claramente. Não reclamo, não, estou feliz, serena, tá tudo bem. Mas não sei, eu tô tendo uma nova percepção das coisas/pessoas, tento usar à máxima potência meus sentidos para vivê-las de verdade. Como se fosse a primeira e última vez. Por isso o sorriso e olhar estranhos quando ando de ônibus, com a cabeça pra fora, sentindo o vento e tudo a minha volta. Por isso a vontade de tocar na saboneteira da minha avó em forma de Chaplin que tá ali há anos e eu nunca reparei de fato, de gravar a arrumação da mesa do almoço, a cor dos legumes cuidadosamente arrumados, do zelo da minha avó nos servindo, da voz alta da minha mãe, das asneiras que a minha irmã fala. É tudo tão intenso agora, sinto a história de cada objeto que toco, cada música que canto de olhos fechados e sei de cor, cada sorriso e palavras trocados. Recolho essa sensações como se fossem mudas e planto-as como flores no meu coração-jardim.