Te devorar
sem
pena.
Aproximadamente 2603 quilômetros separam o Rio de Janeiro de Fortaleza
Aqui faz frio enquanto você sem camisa coloca um pão no forno pra assar
Reclama que a massa não cresceu, digo que ainda assim vai ficar gostoso
Você rindo diz que adora ser iludido
(Eu também)
- Distância é fermento.
Quis te convidar pra uma despedida,
quando senti a ausência de corpo presente no seu abraço
Bullet time effect:
vontade vã só atesta um fim já dado
Vivo esses dias sabendo que o tempo não falha
E será certeiro em apaziguar desejo
Mas quando passo de bicicleta
pela rua dos Inválidos
me flagro olhando pro alto do seu prédio
Pra quem sabe te ver de relance
na varanda
Onde fizemos fumaça
Partilhamos canções
E dançamos quereres
Ai, paixão vizinha,
consolo meu é saber fazer de cisma, poesia
E é preciso virar a página
Do caso de amor entre a árvore e o vento,
bem conhece a sabedoria popular:
"Entorta... enverga, mas não quebra!"
Essa dança resiliente
ensina a ser flexível
Ceder espaço,
conhecendo o próprio limite
Assim, árvore e vento vão pegando o jeito,
o embalo do movimento
É no contato que se aparam arestas
Espalhando por aí as folhas secas
Levando embora o que já não presta
Já as folhas que ficam,
contentes chacoalham
O som que se ouve de festa
É da cosquinha que faz o ar
Soprando carícias
nas frestas da floresta
Ssshhhhhhhhhh!...
Você vai me perder Sem nem perceber Que a flor do meu peito sem cuidado seca Você vai me perder Não vai demorar O sangue que escorre uma hora estanca Você vai me perder Tenha certeza Quando não houver mais lágrima não sobrará nada Você vai me perder Não ficará rastro, nem pegada O que o tempo cura ele também afasta Você vai me perder Assim que enxergar seu coração-terreno-baldio Onde morava amor só restará o vazio